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Guerra contra o roubo de cargas

Empresas contratam gerenciadoras de risco e utilizam tecnologia contra quadrilhas que tomaram de assalto as rodovias brasileiras.


Um grande problema de segurança pública e que também afeta a economia, o roubo de carga parece estar longe de um desfecho favorável. As autoridades simplesmente não conseguem inibir essa modalidade de crime em todas as regiões do país. O resultado é que o roubo de mercadorias transportadas nas rodovias brasileiras cresceu 16% em um ano, causando prejuízos da ordem de R$ 1 bilhão. As quadrilhas estão atacando também dentro das cidades, principalmente, na região Sudeste, a mais visada. Segundo dados de entidades de transportadores, dos 17 mil casos registrados em 2014, 85% aconteceram nessa região. Somente o estado de São Paulo concentra 60% das ocorrências em nível nacional.


O diretor geral da Transvip Brasil, Marcos Guilherme D. Cunha, critica uma espécie de letargia das autoridades e também da iniciativa privada: “É notório que os governos estadual e federal não têm meios de ajudar, de forma acentuada, no combate eficiente e na erradicação deste tipo de crime. Porém, devem fornecer meios inteligentes para que a iniciativa privada, por intermédio das empresas de transporte de valores e de cargas especiais, possa coibir este tipo de ação”. Enquanto os dirigentes públicos apenas se “indignam” e pouco fazem contra a ação das quadrilhas, cabe às empresas de gerenciamento de risco apresentar soluções que amenizem esse terrível quadro.

Embora o gerenciamento de risco seja um grande aliado na prevenção ao roubo de mercadorias, a situação é absolutamente grave. O diretor de Transportes da Argo Seguros, Salvatore Lombardi Junior, atribui ao crime organizado e ao tráfico de drogas os fatores desencadeantes do roubo de carga. “Os traficantes trocam mercadorias roubadas por armas e drogas fora do país”, alerta.


O sócio-diretor comercial da Raster Gerenciamento de Risco, Odivan Faccin, que atua no mercado de transporte e segurança há 17 anos, ressalta a importância de se contratar uma gerenciadora de risco experiente, com um programa de treinamentos e homologação por diversas seguradoras. “É vital que todos os envolvidos estejam comprometidos com a operação, para que o gerenciamento seja uma ferramenta eficaz contra as quadrilhas de roubo de cargas”, recomenda. E quais seriam as partes envolvidas nesse processo? São os embarcadores, transportadores e motoristas – estes submetidos ao treinamento sugerido por Faccin.


O empresário alerta sobre os procedimentos que devem ser adotados à risca, sob pena de a carga ser capturada pelos criminosos. “Começa pelos embarcadores, que precisam informar corretamente o conteúdo e valor da carga para que a gerenciadora possa definir os procedimentos necessários para aquela operação. Já o transportador precisa ter um trabalho minucioso de avaliação dos motoristas e prestadores de serviço contratados, para não colocar a carga nas mãos de alguém que possa estar envolvido com alguma quadrilha, ou com dívidas altas e desesperado para conseguir dinheiro rápido”, adverte.


Salvatore concorda com a tese de que a adoção de um eficiente sistema de gerenciamento de risco evitaria a ocorrência de, no mínimo, 70% dos sinistros. Mas recomenda um trabalho conjunto entre seguradoras, clientes e gerenciadores de riscos. “As regras de gerenciamento de risco são bastante claras e objetivas. Qualquer subscritor sênior, hoje, reúne condições de estabelecê-las”, explica. De acordo com o diretor da Argo, os custos iniciais de investimento nessa atividade já são absorvidos pelas empresas, assim como as condições dos seguros e suas exigências. Em sua opinião, sem as regras para a gestão do risco o caos estaria instalado e certamente não haveria oferta de seguros a esse segmento.


Isca eletrônica


Há unanimidade entre os gerenciadores de risco e executivos de seguradoras quanto aos investimentos em tecnologia como antídoto ideal para o combate aos criminosos. A maioria indica uma novidade recente no mercado, as iscas eletrônicas, como uma excelente alternativa. Trata-se de chips embutidos nas mercadorias, que passariam a ser monitoradas da mesma forma que os caminhões. Durante o trajeto, monitorado por satélite, o condutor deve adotar algumas medidas como parar o veículo em local previamente combinado.​

Essas iscas seriam uma opção ao trabalho tradicional da escolta? Não é bem assim. O presidente da Comissão de Transportes do Sincor-SP, José Geraldo da Silva, esclarece que a escolta possui um papel de caráter preventivo, de forma mais ostensiva, enquanto o novo dispositivo é uma solução reativa. “As iscas eletrônicas funcionam quando o veículo é roubado, com o objetivo de favorecer a recuperação da carga”, explica. Em sua opinião, esse tipo de monitoramento é fundamental e agrega valor tecnológico à proteção do transporte de mercadorias.


Na análise de Faccin, a isca eletrônica é um elemento que se destaca pelos resultados positivos que gera no cenário logístico. Contudo, esclarece: “O sucesso da utilização da isca está relacionado também à velocidade das ações por parte dos gerenciadores de risco ou usuários diretos deste equipamento, bem como o correto tratamento e sigilo das informações”.


Presente no mercado desde 2009, a VSS Control, empresa do Grupo Vista, atua no segmento de rastreamento de veículos, cargas e pessoas. A empresa se especializou em tecnologias de contingência, e, em especial, nos equipamentos móveis denominados “iscas” ou “vírus de carga”. Cleber de Castro, diretor-geral do grupo, alerta que as quadrilhas especializadas em roubo de cargas utilizam o jammer (espécie de bloqueador) para inibir rastreadores.


Ele explica que, infelizmente, tais equipamentos são capazes de inibir todas as tecnologias disponíveis – satelital, GSM/GPRS e rádio frequência. “Por isso, não basta fornecer a tecnologia, temos de auxiliar nossos clientes na inteligência do negócio. Saber como utilizar os equipamentos é fundamental para o sucesso da operação”, ressaltou Cleber.


Além das iscas, o mercado disponibiliza rastreadores para gerenciadoras de risco, como forma de garantir mais segurança aos seus clientes. Tal equipamento pode ser distribuído em qualquer compartimento de carga, ser afixado com sistema de imantação – quando a aplicação exigir o controle de carretas e reboques – ou ainda ser ligado à tomada de força do veículo para a utilização em operações logísticas. A tecnologia é, sem dúvida, uma arma poderosa contra as quadrilhas, que, por sua vez, se esmeram em neutralizar as ações das empresas. É uma guerra de duração indefinida.


Fonte: Revista APTS Notícias edição 118

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