Associação Paulista dos Técnicos de Seguro

Largo do Paissandu, 72 - 17° andar Cj. 1704

São Paulo - SP - 01034-901

apts@apts.org.br

Páginas oficiais

  • Wix Facebook page
  • Wix Twitter page
  • Wix Google+ page

Copyright © 2014 APTS. Todos os direitos reservados.  Política de privacidade.

Destaques

Inovação não precisa ser disruptiva

09/11/2019

1/1
Please reload

Busca por Tags
Please reload

O seguro como alavanca do comércio exterior e da logística

31/10/2019

Ambas as atividades, cruciais para o desenvolvimento do país, poderiam se expandir com a proteção oferecida pelo seguro em conjunto com metodologias de gerenciamento de riscos.

 

Abrindo caminho para as exportações

Como o seguro de crédito à exportação poderia ajudar as pequenas e médias empresas a se tornarem grandes exportadoras.

 

Se as expectativas do governo brasileiro forem atendidas, em um ou dois anos, com a entrada em vigor do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, o comércio exterior no país será alavancado. A previsão é que 95% das exportações do Mercosul fiquem livres de tarifas para a UE, ante 24% atuais. Outro impulso virá se a entrada do país na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) se concretizar. Daí, então, o Brasil estará posicionado em um ambiente fértil para atrair investimentos e construir acordos internacionais com grande potencial. Mas, saindo do campo das expectativas, a realidade do comércio exterior brasileiro é desafiadora.

 

 

“O comercio exterior no Brasil está muito maltratado. Além de não ser prioridade para o governo, também não existe nenhuma política de fomento”, diz o professor de Comércio Exterior José Manuel Meireles de Sousa. Os reflexos para a economia são visíveis, segundo ele. Basta saber que nos últimos 20 anos o Brasil deixou de ser exportador de produtos acabados para se tornar exportador de commodities. Este é o caso das exportações agrícolas lideradas por grandes empresas. Mas, estas, segundo Meireles, não precisam de estratégias de comercialização.

 

Na visão do professor, o comércio exterior poderia ser mais desenvolvido se, além das grandes empresas, a maioria multinacional, as médias e pequenas empresas brasileiras também passassem a exportar. Atualmente, de acordo com Meireles, apenas 20 mil CNPJs exportam, o que representa 0,3% de todas as empresas registradas no país. Destas, boa parte possui processos logísticos agregados a empresas estrangeiras e exportam, independentemente da política de comercio internacional.

 

Uma pesquisa realizada pelo Sebrae apontou que, atualmente, os negócios de pequeno porte no Brasil movimentaram mais de US$ 1,1 bilhão em exportações em 2017. Por outro lado, as importações alcançaram US$ 138,1 bilhões. Qual a razão do baixo volume de exportações? Para Meireles, por detrás da inação do empresariado brasileiro no mercado internacional está a dimensão gigantesca do mercado nacional, embora reconheça que a China, por exemplo, que possui um mercado ainda maior, exporta mais que o Brasil.

 

Diferentemente do Brasil, a China mantém uma política agressiva de exportação e possui câmbio mais favorável e custo baixo. Tanto que vem ocupando o espaço no mercado não explorado pelo Brasil. O país asiático aumentou sua participação no mercado internacional entre 2008 e 2017, tirando a União Europeia da liderança, segundo o Banco Mundial. Em 2008, a China tinha 11,1% de share, passando para 16% em 2017. Para Meireles, o Brasil tem muito a aprender com a China.

 

Uma das lições dos chineses, segundo o professor, é o conhecimento do mercado. “Tenho alunos chineses que sabem mais da geografia do Brasil do que os brasileiros. Eles são dedicados e estudam o mercado”, disse. Ainda mais grave, a seu ver, é a produção de normas brasileiras em descompasso com as regras de comércio exterior. Por outro lado, as perspectivas para os acordos comerciais são positivas e o Brasil ainda pode ampliar sua participação. Dos 400 acordos de livre comércio vigentes no mundo, o país participa de apenas nove, segundo dados de 2017.

 

Mas, na avaliação de Guedes, de nada adianta esse cenário promissor se os empresários não entenderem o mercado internacional. “Temos de ser capazes de ganhar dinheiro com as riquezas que temos. Temos produtos, recursos humanos e capacidade, mas falta-nos cabeça. Não temos a cultura da internacionalidade”, diz.

 

O seguro como alavanca - Para Meireles cabe aos empresários brasileiros saírem da zona conforto e passarem a entender o comércio exterior como estratégia de desenvolvimento e não apenas como oportunidade. Sua opinião é que algumas facilidades tributárias, como o Simples, que concentra vários impostos, e a declaração de imposto de renda pelo lucro presumido, contribuíram para aumentar o desconhecimento em relação aos custos reais dos produtos. “Onde já se viu 99% das empresas não saberem quanto custa o seu produto? Pagam impostos sobre a nota e não sabem quanto ganham com o produto”, diz.

 

O desconhecimento é responsável também pelo pouco uso de instrumentos que poderiam alavancar as exportações, como é o caso do seguro de crédito à exportação, que garante ao exportador a indenização por perdas líquidas definitivas, em consequência do não recebimento de crédito concedido a cliente no exterior. O seguro também funciona como instrumento de prevenção e ferramenta de cobrança, já que dentre as garantias vinculadas às vendas externas é a que apresenta o menor custo.

 

Dentre outros benefícios, o seguro garante os financiamentos de crédito à exportação contra risco comercial (quando o financiador não recebe seus créditos concedidos ao Importador); risco político, mora, rescisão arbitrária, moratória geral decretada pelas autoridades do país devedor; e riscos extraordinários que impeçam o pagamento da dívida financiada (como guerras, revoluções, catástrofes naturais). Para Meireles, o operador de exportações não sabe que é quase zero o risco de exportação e que o seguro de crédito à exportação cobre 95% dos prejuízos em caso de risco comercial e 100% em risco político e risco extraordinário.

 

Alfredo Chaia, enterprise Risk Management da Risk Veritas e vice-presidente do Clube Internacional de Seguro de Transportes (CIST), considera que o exportador precisa agregar valor às commodities. “Em vez de exportar apenas soja, poderia exportar também o óleo ou farelo de soja. O produtor brasileiro quer oportunidades para exportar outros produtos de maior valor”, diz. Otimista em relação aos futuros acordos internacionais, ele acredita que outra potencial oportunidade para os exportadores brasileiros é a venda na condição CIF (o frete e o seguro são assumidos pelo fornecedor, que é responsável pela entrega até o local de destino), em vez de FOB (o cliente paga pelo frete e pelo seguro da mercadoria), como ocorre atualmente. “Esta é uma das opções para agregar maior valor à venda do produto”, diz.

 

Chaia observa que no transporte marítimo, por exemplo, a maioria dos armadores (proprietário dos navios e dos contêineres) é internacional e, por isso, o seguro atrelado ao frete é adquirido fora do Brasil. “Com isso, também estão deixando de gerar divisas para o país”, diz. Por que o pequeno empresário brasileiro não contrata seguro para exportação e importação? Um dos motivos é a falta de conhecimento, avalia Paulo Cristiano Hatanaka, Commercial Risk Solutions da AON na área de Transportes. “Também pode ser porque acha o seguro caro ou porque não tem a cultura de contratar”, acrescenta.

 

Tanto na oferta de produtos, como na capacidade de tomar riscos, o mercado segurador brasileiro é moderno e sofisticado, opina Chaia. “Não deixa nada a dever aos principais mercados internacionais”, diz. Já Hatanaka entende que cabe também aos corretores de seguros aprofundarem seus conhecimentos em comércio exterior para poderem oferecer soluções de seguros aos empresários.

 

Segundo Hatanaka, o corretor precisa conhecer Incoterms (termos que definem a responsabilidade civil e financeira da mercadoria pelo comprador e pelo vendedor, no fechamento do contrato) e o tipo da mercadoria a ser exportada ou importada. “Mesmo que seja complexo, o corretor não pode desistir”, diz. Para Chaia, a área representa enorme oportunidade aos corretores especializados e também uma forma de oferecer serviços consultivos aos seus clientes.

 

Os riscos da logística

A evolução do operador logístico trouxe novos riscos à atividade capazes de comprometer a sua continuidade.

 

A atividade logística vem se desenvolvendo no país nas últimas décadas, mais precisamente após a estabilização da economia. Levantamentos de 2018 indicam a existência de 269 empresas com o perfil de operadores logísticos, que produzem receita bruta próxima a R$ 81,4 bilhões, arrecadam cerca de R$ 12,7 bilhões e geram 502 mil empregos diretos. Com a evolução, a logística deixou de apenas armazenar e transportar produtos.

 

Hoje, muitos operadores possuem estrutura e competência para atuar simultaneamente no transporte, armazenagem, manipulação de produtos (embalagem, identificação, separação e montagem de kits), serviços e controles informatizados (como gestão de estoques, rastreamento de veículos e de mercadorias etc.), consultoria em logística e administração. O consultor e professor de logística Paulo Roberto Guedes, conselheiro da Associação Brasileira de Operadores Logísticos (Abol), explica que o operador ampliou sua atuação atendendo a demanda das empresas.

 

Segundo ele, as empresas perceberam que em vez de manter grande estrutura, com muitos funcionários, para cuidar do transporte de seus produtos, poderiam transferir esse serviço ao operador logístico e, então, focar no seu core business. “A logística passou a ter importância estratégica para as empresas. Os produtos são muito semelhantes, inclusive em preços, e o que os diferencia é a disponibilidade ao consumidor. De nada adianta uma região ser rica produtora se não consegue fazer o seu produto chegar até o consumidor”, diz Guedes.

 

No entanto, ao ampliar seu leque de atuação e assumir novas funções e responsabilidades, esse segmento passou a enfrentar novos riscos. De acordo com Alfredo Chaia, enterprise Risk Management da Risk Veritas e vice-presidente do Clube Internacional de Seguro de Transportes (CIST), “as operações logísticas incorporaram riscos emergentes como resultado da evolução”. Segundo ele, além da maior exposição de sua responsabilidade civil em relação ao patrimonial da armazenagem, que envolve os riscos de acidentes e danos à carga, o operador passou a enfrentar também outros riscos, como as falhas operacionais, multas contratuais por interrupção da cadeia produtiva, cibernéticos e os ambientais, dentre outros.

 

Porém, nem todos os operadores logísticos se deram conta desse aumento de riscos. “O operador ampliou muito o seu trabalho, mas essa visão de amplitude foi se perdendo”, diz Guedes. “Imagine transportar em caminhões produtos caríssimos, cujas cargas podem chegar a mais de US$ 1,5 milhão, em um percurso de 100 km e por um frete de R$ 1 mil. Ou seja, o risco é desproporcional ao que o operador está faturando. Ganha pouco, proporcionalmente, e corre um risco enorme”, diz. E os riscos não são apenas de roubo ou de acidentes de trânsito.

 

Guedes lembra que nos armazéns, por exemplo, podem ocorrer danos provocados pela própria carga, como é o caso da explosão de produtos químicos após contato com a água ou, ainda, incêndio provocado pelas condições precárias da instalação elétrica. “Isso precisa ser considerado pelos grandes operadores logísticos, pois, diariamente estão expostos ao ambiente de riscos”, diz. Também é preciso considerar, segundo ele, que, atualmente, os sistemas operacionais devem ser protegidos contra os ataques cibernéticos. “Esta é mais uma responsabilidade do operador logístico”, diz.

 

 

Para Chaia, um programa de gerenciamento de ricos empresarial precisa estar alinhado aos objetivos estratégicos da organização, contribuindo para ampliar mercado (aumento do faturamento) e preservação dos resultados operacionais (lucratividade). “O operador logístico passou a ter uma responsabilidade tão grande que se não fizer um bom gerenciamento de riscos pode não se recuperar de um evento catastrófico”, alerta.

 

Chaia explica que existem metodologias para o gerenciamento de riscos, que apresentam o mapeamento e diagnóstico das exposições a risco, a determinação de cenários e indicam planos de ação e outras medidas de contenção caso algo errado aconteça. Uma das ações do gerenciamento de riscos é a adoção de planos de emergência ou de contingência ou de gerenciamento de crise. “Imagine um operador logístico que parou a operação por causa do ataque de hacker? Ele precisará ter um plano de gerenciamento de crise para a preservação de marca e redução de prejuízos”, diz.

 

Para Guedes, é essencial que os operadores logísticos invistam no desenvolvimento e na qualificação de seus profissionais em relação às práticas de gerenciamento de riscos. “Esta é a cultura de prevenção de riscos. É preciso estar preparado”, diz. Nesse sentido, ele destaca o importante papel do corretor de seguros.

 

“Atividades de consultoria em gerenciamento de riscos devem ter participação efetiva e decisiva dos corretores de seguros, que precisam deixar de se comportarem como simples vendedores de apólices para trabalharem junto com seus clientes na implantação de atividades de inteligência, na elaboração de diagnósticos mais corretos e precisos e na proposição de alternativas que, de fato, objetivem a diminuição de riscos e, por conseguinte, os valores dos prêmios de seguro”, diz.

 

Fonte: Revista APTS Notícias (ed. 135/136)  |Texto: Márcia Alves

 

Please reload

Últimas notícias
Please reload