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Apesar da LGPD, corretores esperam novos negócios com seguros cibernéticos

04/12/2019

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APTS foi canal para o mercado comunicar medidas contra a inflação

 

Por que Jorge Hilário Gouveia Vieira escolheu a APTS para anunciar as importantes mudanças que ajustariam a atuação do mercado na época de alta inflação?

 

Houve um tempo, mais precisamente na década de 80, em que o mercado de seguros sofreu enormemente as consequências da alta inflação. Depois do insucesso de vários planos econômicos, o governo brasileiro declarou a moratória da dívida externa, agravando a situação. Não por acaso, aquele período tornou-se conhecido como a “década perdida”.

 

A APTS foi criada, justamente, nessa época, para defender a prática técnica de seguros, que perdia sua função e importância na medida em que era mais compensador às seguradoras aplicar seus recursos no mercado financeiro. Fundada em 1983, como entidade apolítica, sem fins lucrativos e aberta à participação de todas as categorias profissionais, a APTS exerceu papel importantíssimo naquele tempo, sobretudo por defender a técnica de seguro como pilar da atividade securitária.

 

Hoje, não é difícil constatar quão acertados foram os propósitos da entidade, já que, após o período de estabilização econômica, o mercado foi obrigado a priorizar o resultado industrial, retomando a sua essência. Mas, voltando àquela época de alta inflação, um episódio marcou profundamente a história da entidade. Contava a APTS com apenas dois anos de existência, quando o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), órgão estatal que mantinha o monopólio do resseguro, anunciou que teria novo presidente.

 

Nesse período, também o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep) trocariam de comando, o que refletia o anseio de mudanças no setor. Depois de algumas especulações, eis que foi anunciada a vinda de um profissional da área financeira para ocupar a presidência do IRB. A escolha de Jorge Hilário Gouveia Vieira, que havia ocupado a diretoria e, posteriormente, a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (1977 a 1981), foi bem recebida pelo mercado. Porém, o mais surpreendente foi a notícia de que ele acumularia também o cargo de presidente do CNSP, algo inusitado e inédito até hoje.

 

Como era praxe, logo após a posse de Jorge Hilário, o mercado aguardava com ansiedade o seu primeiro pronunciamento público para saber o que esperar de sua gestão. Foi então que, atendendo minha solicitação, ele me recebeu horas depois de sua posse e aceitou ser apresentado oficialmente ao mercado pela APTS. No dia 5 de maio de 1985, no Hilton Hotel, Jorge Hilário explicou para uma plateia de 300 pessoas por que optou pela APTS. “Foi proposital, escolhi a APTS porque é uma associação que congrega todos os segmentos do mercado, em que reina a paz, não há disputas, e todos estão voltados ao desenvolvimento do seguro”, disse.

 

E pronunciamento no evento, Jorge Hilário fez duras críticas à atuação do mercado segurador àquela época, principalmente, em relação à falta de atendimento ao segurado. “Temos de fazer, o quanto possível, a vontade do segurado e tentar abolir a hipocrisia do mercado”, disse, referindo-se à necessidade de aplicar a correção monetária às indenizações.

E assim ele o fez à frente do IRB e do CNSP: emitiu normas para a correção de monetária de indenizações; reduziu o valor do prêmio e elevou a importância segurada do DPVAT; reestruturou o CNSP, com a participação de representantes de segmentos do seguro e, principalmente, do segurado; e também reformulou a estrutura do IRB, ampliando o poder do Conselho Técnico.

 

Meses depois, no final de 1985, Jorge Hilário voltou a se apresentar em evento da APTS, também com casa cheia, para prestar contas da implantação de seu projeto de gestão. “Peço ao mercado que examine o problema econômico da falta de indenização. Não queremos uma indexação que venha a perturbar a saúde financeira das seguradoras, mas que atenda aos interesses da sociedade e do mercado como um todo. Porque, às vezes, nos esquecemos que o segurado precisa estar satisfeito não apenas no momento da contratação do seguro, mas também no momento do sinistro”, disse.

 

Este foi um capítulo importante da história do seguro no país, em que a APTS pode dar a sua contribuição. Parabéns à APTS por seus 32 anos de existência, sempre voltados à disseminação do conhecimento em seguros.

 

Luis López Vázquez é fundador e presidente da Associação Paulista dos Técnicos de Seguro

 

Texto extraído da revista APTS Notícias (edição 115) - clique aqui para ler a revista

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